Estratégia do Vale do Tua em destaque em Conferência Internacional sobre Smart Cities

Um território de baixa densidade revela a sua estratégia de desenvolvimento, apresentado-se como um caso de estudo, no Congresso Internacional Zoom Smart Cities.
O Vale do Tua, com a sua estratégia territorial, integra uma mesa de discussão com as cidades de Lisboa, Santander, Amsterdão e Dublin.
São grandes cidades europeias que se têm destacado pelas estratégias inteligentes que têm implementado mas cujo sucesso lhe tem causado também alguns problemas, nomeadamente de sobrepovoamento, de massificação turística e até perda de identidade e descaracterização, com consequências nem sempre positivas para os residentes. O Vale do Tua demonstrou na sua apresentação como a resolução de alguns destes problemas pode começar nos territórios rurais, com problemas inversos, despovoamento e falta de dinâmica turística.
Este projeto nasceu na sequência da decisão do Estado Português construir o Aproveitamento Hidroeléctrico do Vale do Tua. Os cinco municípios abrangidos (Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor), decidiram transformar esta realidade numa oportunidade e garantir que as soluções apresentadas resultariam numa mais-valia efetiva para o desenvolvimento local. Definiram, então, uma estratégia integrada que, resumidamente, assenta em cinco grandes “Smart Solutions”:
Criação do Centro Interpretativo do Vale do Tua, um lugar de preservação, de respeito, de memória, de valorização, mas também de incentivo ao estudo, à pesquisa, à promoção. A temática aborda a linha do Tua, o Vale e a Barragem, estabelecendo a ligação entre o território e as suas gentes, o caminho-de-ferro e a barragem, assumindo-se como um local de passagem – a porta de entrada ou de saída numa região que envolve o Douro e Trás-os-Montes.
Este projeto recupera dois armazéns que já não eram utilizados, mantém a traça original e utiliza materiais de construção eco-eficientes. Custa 2,2 milhões de Euros e abre ao público até ao final do ano de 2017.
Reabilitação e Valorização de Património Cultural. Com base num protocolo assinado em 2013 entre a EDP, a ADRVT e a DRCN (Direção Regional de Cultura do Norte) foram financiadas um conjunto de ações de reabilitação e valorização de património cultural localizado nos cinco municípios do Vale do Tua, no valor de 1,5 milhões de euros. Mais um projeto que visa preservar, recuperar e valorizar, apostando no turismo cultural e religioso.
Apoio ao Empreendedorismo, que pretende desenvolver a capacidade empreendedora local, apostar na formação dos agentes locais, aumentar a taxa de sobrevivência das empresas e fixar as populações e melhorar as suas condições de vida. Este programa tem um orçamento de 1,5 milhões de euros.
Plano de Mobilidade um projeto pretende responder a dois tipos de procura distintos: mobilidade quotidiana e turística e representa um investimento total de 15 milhões de euros. Tem um programa multimodal, que engloba autocarro, barco e comboio e, de acordo com o operador privado que ganhou a concessão, Mário Ferreira da Douro Azul, são esperados 100 mil turistas ainda este ano no Vale do Tua (assumindo que o barco e o comboio começam a operar até finais de Julho de 2017).
Criação do Parque Natural Regional do Vale do Tua, o único Parque Natural REGIONAL do país, uma classificação que garante a autonomia desta entidade. E o único caso no país em que um organismo está diretamente associado à concessão para explorar o Aproveitamento Hidroelétrico de Foz-Tua, entregue à EDP por 75 anos. Dessa exploração 3% revertem para um fundo ambiental a gerir pelo Estado. Com a criação do PNRVT, 75% desta verba é atribuída à criação e gestão do Parque, ou seja, fica no território.
Este Parque tem uma forte preocupação com a área de preservação e conservação ambiental, mas também com o desenvolvimento local sustentado, a partir do Turismo de Natureza.
No domínio ambiental, podemos apontar como exemplo a utilização de morcegos para o combate das pragas agrícolas, na vinha, no olival e nos sobreiros. É um projeto que está a ser desenvolvido em parceria com o CIBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade) da Universidade do Porto e a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro).
No âmbito do Turismo, apostou-se na criação de uma rede de percursos pedestres, mas também no turismo náutico, de saúde e bem-estar (termalismo), nas aldeias ribeirinhas e na ligação da marca Tua à marca Douro. O PNRVT estabeleceu ainda um conjunto de parcerias internas e externas, com vista à afirmação nacional e internacional deste destino, no domínio do Turismo de Natureza.
Em síntese, o PNRVT visa garantir que todos os investimentos estruturantes previstos para o Vale do Tua, funcionem de forma integrada. O sucesso do Vale do Tua depende da articulação e complementaridade entre estas CINCO SMART SOLUTIONS! Depende também da capacidade do território se manter unido e coeso, na defesa das suas vantagens competitivas, entre outras a sua identidade, e com estes trunfos ser capaz de fomentar o turismo, não de massas, mas de qualidade.

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