Autonomia é a grande mais-valia da classificação Regional que o Vale do Tua conseguiu aquando da criação do Parque Regional que abrange cinco municípios: Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor.

Este parque tem apenas três anos de vida e nasceu na sequência da implementação das medidas de compensação da EDP para o território, decorrente da construção do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua. Alias, conseguiu mais, a EDP tem 49 centrais hidroeléctricas no país e apenas neste caso existe um organismo local associado à concessão da exploração da barragem, o que significa os 3% do valor da produção que por norma revertem a favor de organismos centrais, neste caso ficam no território e garantem o funcionamento do Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT) por 75 anos.

Este projeto surge como um exemplo de um território de baixa densidade populacional e fraca dinâmica económica que foi capaz de se unir e desenvolver uma estratégia integrada que pode inverter o ciclo de abandono que há muitas décadas aflige o interior do país.

A autonomia desta área protegida permite-lhe desenvolver, com conhecimento real, iniciativas que vão ao encontro das expectativas da população.

Exemplo disso é o projeto de utilização de morcegos no combate às pragas agrícolas, com enorme aceitação por parte dos agricultores. É sabido que os morcegos são grandes consumidores de insectos e por isso podem ser uma solução eficaz para o combate das pragas evitando o uso de pesticidas, contribuindo para o fomento da agricultura biológica e ao mesmo tempo poupando investimentos aos agricultores. O PNRVT colocou uma centena de caixas abrigos para morcegos espalhadas pelos cinco concelhos que abrange e, neste momento, muitos desses abrigos já foram ocupados por morcegos.

Mas a atuação do PNRVT não se limita à área da preservação e conservação ambiental, a aposta incide também na promoção do Turismo de Natureza, visto como uma enorme oportunidade de desenvolvimento económico.

Não se substituído aos operadores privados o Parque procura criar as “condições de contexto”, como lhe chama o seu diretor, Artur Cascarejo, referindo-se à preparação do território para receber visitantes. Exemplo disso é a implementação de um projeto de sinalética orientativa e informativa, a criação de percursos pedestres devidamente homologados e promovidos, entre outros.