O Tua arrecadou o prémio Arquitetura do Douro 2019, com a Central Hidroelétrica, e recebeu uma menção honrosa pelo Centro Interpretativo do Vale do Tua.

O rio que é afluente do Douro foi o grande protagonista do Prémio Arquitetura do Douro, criado e lançado em 2006 pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) para promover boas práticas de arquitetura no Património Mundial.

A grande obra vencedora foi a Central Hidroeléctrica do Tua, um projeto com assinatura do arquiteto Eduardo Souto de Moura, o vencedor do Pritzker 2011, que recorreu a uma técnica que consiste num corte, com cerca de 90 graus, no terreno, onde a obra foi “encaixada”. Aquando da apresentação do projecto, o arquiteto descreveu-o como sendo “um bunker que minimiza o impacto do betão”. Foram ainda utilizados materiais típicos da região como os socalcos, o granito e as oliveiras.

O edifício começou a ser construído em 2011 e é composto por uma sala de máquinas parcialmente embutida no monte que ladeia o complexo. Na superfície estão instaladas peças transformadoras que, pela sua natureza, teriam obrigatoriamente que ser alojadas no exterior.

Esta distinção foi feita numa sessão que decorreu no Museu do Vinho, em São João da Pesqueira, e que coincidiu com as comemorações dos 18 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial pela UNESCO, dia 14 de dezembro.

Souto de Moura mostrou-se “contente e orgulhoso” pela distinção: “Queria agradecer à UNESCO, que chumbou o projeto que a EDP queria fazer e que me deu a possibilidade de ter feito este, e agradecer à própria EDP o empenho com que tratou o tema, muito delicado, e a maneira como contornou e lutou para que se efetivasse esta construção contra tudo e todos e que não foi nada fácil”, afirmou durante a entrega do prémio.

Na mesma cerimónia Fernando Freire de Sousa, presidente da CCDR-N, salientou a ambivalência de uma obra que, “traduzindo uma barragem, é um exemplar notável de arquitetura”, mas também um modelo de “preservação dos valores ambientais e da paisagem”.

A Central Hidroelétrica do Tua foi a escolhida entre 14 propostas submetidas. Da obra, o júri – composto por representantes da Comissão de Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN), da Entidade Regional do Turismo Porto e Norte e pelo arquiteto Álvaro Andrade (vencedor da última edição do prémio) – destacou a “decisiva e determinante intervenção da arquitetura, enquanto metodologia disciplinar, acima de tudo, por assegurar a manutenção do Douro Vinhateiro como Património da Humanidade”.

Para além do edifício vencedor foi ainda homenageado, com uma menção honrosa, o Centro Interpretativo do Vale do Tua, da autoria de Susana Rosmaninho e Pedro Azevedo, uma dupla de jovens arquitetos que, segundo o júri, desenharam “um notável projeto de reabilitação, reutilização e valorização de icónicos armazéns devolutos ou abandonados”.

Um espaço de memória, de conhecimento, de interpretação que aborda três temas complementares que fazem a história do território: O vale, a linha ferroviária e a barragem.

 

Fotografia: Egídio Santos / Rosmaninho+Azevedo – Arquitetos