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RUÍNAS DA IGREJA DE ANSIÃES

Arquitetura Religiosa / Monumento Nacional

São Salvador de Ansiães é uma das mais interessantes igrejas românicas portuguesas, não obstante a localização geográfica algo marginal em que se implanta. A real relevância da própria vila velha de Ansiães também tem vindo a ser reavaliada, à luz de campanhas arqueológicas efectuadas no local.

O templo é planimetricamente modesto, compondo-se de nave única e capela-mor rectangular, mais estreita e baixa que o corpo. Mas adquire efectiva importância quando se analisam os programas escultóricos que ornamentam os seus portais, realizações que conferem ao monumento um estatuto cimeiro na arte românica nacional.
O principal motivo de interesse é o portal principal, cronologicamente a última peça do conjunto a ser concluída, presumivelmente nos inícios do século XIII. Tivemos já oportunidade de efectuar uma leitura integrada do seu programa iconográfico (FERNANDES, 2001), concluindo por uma visão da Ordem universal para o homem românico: o mundo terrestre, simbolizado por representações grotescas e felinas, ocupa a arquivolta exterior, separando-se do campo celestial por uma arquivolta sem decoração, verdadeira separação entre o Bem e o Mal; as mais próximas do tímpano, foram reservadas a temas vinculados à Cristandade triunfante, com uma representação do Apostolado, ficando o tímpano reservado ao Pantocrator, Cristo juiz ladeado pelos Evangelistas, imagem mais efectiva da simbologia românica, que ornamenta um importante conjunto de igrejas europeias, mas que em Portugal se resume a quatro exemplos.

Mais antigos são os portais laterais, em particular o do lado Norte, mais sumariamente trabalhado. O meridional integra uma interessante solução de beak-heads, elemento de tradição inglesa. A primeira fase das obras, que supomos ter acontecido ainda na primeira metade do século XII, encontra-se testemunhada no arco triunfal, cuja tendência geometrizante dos seus elementos decorativos tem analogias estilísticas evidentes na Sé de Braga e, principalmente, na igreja de São Cláudio de Nogueira.

Na Baixa Idade Média, adossou-se à frontaria a capela funerária da família Sampaio, senhores da vila durante as décadas finais da 1ª Dinastia. É um espaço quadrangular, hoje arruinado, que carece de um estudo mais rigoroso.

Fonte: Direção Geral do Património Cultural