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PONTE E VIA ROMANA – RIO TINHELA

Arquitetura Religiosa / Imóvel de Interesse Público

Também conhecida por “Murça de Panóias”, Murça foi, até à fundação da nacionalidade, uma imensa região administrativa, certamente uma das razões pelas quais foi elevada a “vila” e obteve a correspondente autonomia municipalista por foral de D. Sancho II, , (1209-1248), decorria, então, o ano de 1224, numa postura confirmada posteriormente por D. Afonso III (1210-1279), logo em 1268, seguida das outorgadas por D. Dinis (1261- 1336), em 1304, e por D. Manuel (1469- 1521), em 1512.

De entre os diversos vestígios romanos existentes no concelho, merecem, sem dúvida, um destaque muito especial a ponte erguida no alcantilado vale do Rio Tinhela e a calçada que lhe dá acesso, a jusante da ponte “Nova” de pedra (com cerca de trinta e três metros de altura) inaugurada em 1872, no âmbito do desenvolvimento dos transportes urbanos promovido pela política da supremacia da “funcionalidade mecânica” sobre a “funcionalidade simbólica” do gabinete ministerial de A. M. de Fontes Pereira de Melo (1819- 1887).

Único local de passagem entre as duas margens do rio até ao século XIX e, na realidade, da estrada que ligava Vila Real e Bragança, estes dois elementos foram absolutamente cruciais no desenvolvimento das comunidades que habitaram a região ao longo dos tempos, conferindo uma maior liberdade de movimentação às suas gentes, ao mesmo tempo que abria caminho a uma mais sólida coesão interna através do melhoramento da própria organização territorial que integravam.

Apesar de ter sido objecto de algumas (compreensíveis) intervenções de restauro em épocas posteriores à sua edificação primitiva, a ponte ainda mantém alguns elementos da estrutura primeva, tal como sucede, aliás, com a própria calçada, também ela original nalguns dos seus trechos que, juntos, ligariam, entre outros locais da Península Ibérica, as antigas localidades de Aqua Flaviae (Chaves) e Bracara Augusta (Braga), embora se equacione a possibilidade de ter atravessado a aldeia de Cadaval, onde existe uma fonte com uma inscrição latina, possivelmente relacionada com a estrada romana.

É, por conseguinte, pela calçada que se prolonga por um extenso troço, que o acesso público é efectuado à ponte de perfil horizontal com um único arco de volta redonda aparelhado com blocos graníticos largos e regulares e guardas de igual modo em cantaria de granito, em cuja entrada Norte se ergue uma pedra de grandes dimensões com superfície insculpida com as armas da coroa portuguesa e uma cruz.

Fonte: Direção Geral do Património Cultural