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IGREJA STA EUFÉMIA DE LAVANDEIRA

Arqueologia / Sítio de Interesse Público

A elevação da localidade de Lavandeira a paróquia, em 1734, sob a invocação de São Salvador, reflectiu-se, também, na sua igreja, até aí dedicada a Santa Eufémia. É neste crescendo de importância que se deve procurar as razões da campanha decorativa barroca de que o templo foi objecto, na primeira metade do século XVIII, e que visava, com certeza, dignificar a nova igreja paroquial.

Implantada num declive acentuado, que os volumes da igreja acompanham, esta impõe-se na malha urbana não apenas pelas suas dimensões, mas principalmente pela colunata toscana, que sustenta o alpendre. A linguagem maneirista que aqui se observa, estende-se à totalidade do templo, muito embora a intervenção barroca seja notória em determinados elementos. Assim, o portal principal, de linhas rectas, e flanqueado por duplas pilastras, é encimado por um nicho recortado, com um inscrição referente à invocação a Santa Eufémia, de gosto barroco, tal como o portal que se abre no alçado lateral Norte, com frontão de volutas, interrompido por um querubim.
O volume da capela-mor diferencia-se do da nave por ser mais abaixo e estreito, sendo que todos os corpos são delimitados por pilastras nos cunhais, elevadas por pináculos de remate esférico. Do lado da sineira, que se desenvolve no plano da fachada principal, o alçado é composto pelo volume da torre, e pelo da sacristia, mais salientes, embora esta última se encontre no prolongamento da capela-mor.

No interior, de nave única (com coro-alto e púlpito), com arco triunfal a pleno centro a articular este espaço com a capela-mor, é mais evidente a campanha barroca, que veio dinamizar o espaço maneirista, ao forrar a cobertura com caixotões e revestir outras áreas de talha dourada. O tecto da nave exibe motivos hagiográficos diversos, enquanto o da nave ilustra uma versão da Árvore de Jessé, ou seja, a árvore da descendência de Jesus – uma temática menos bem vista pelo Concílio de Tento, mas que conheceu grande fortuna no nosso país ao ligar-se à iconografia de Nossa Senhora da Conceição (PEREIRA, 1992, pp. 228-229). Neste caso, a representação respeita a passagem do Evangelho de São Mateus, embora apresente uma versão reduzida e historicamente desordenada (IDEM, pp. 229-240).
A talha dourada, de gosto proto-barroco, ou nacional, encontra-se presente nos altares laterais e colaterais, desenvolvendo-se, a partir deste últimos, e envolvendo o arco triunfal, como se de um gigantesco retábulo se ratasse, que emoldura e enquadra o retábulo-mor, criando um ambiente de ouro, que se estende às molduras do tecto.
Todo este conjunto é complementado pelas pinturas dos panos murários quer da nave quer da capela-mor. Alusivos a cenas bíblicas, foram executados a azul e branco, no que pensamos ser uma tentativa de imitar os revestimentos azulejares que, habitualmente e nos interiores barrocos, se conjugam com a talha. Trata-se de uma solução de grande interesse, onde se respeita, inclusivamente, o lambril cm enrolamentos e folhagens, próprio dos painéis cerâmicos, embora aqui bastante simplificado.

Fonte: Direção Geral do Património Cultural