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IGREJA DE AVANTOS / SANTO ANDRÉ

Arquitetura Religiosa / Imóvel de Interesse Públicoo

Implantada num plano ligeiramente elevado em relação ao núcleo urbano que a rodeia, a igreja paroquial de Avantos beneficia, ainda, de um maior destaque, pelo muro que a envolve, apenas interrompido pelo portão decorado por volutas e pináculos, no eixo do portal principal, e ao qual se acede por um lanço único de escadas.

São muito incompletas as informações conhecidas sobre a edificação deste templo, que exibe o ano de 1756 no lintel do portal, juntamente com a inscrição: ARS BENE VIVENDI EST, VIATOR: SI VIS AETERNE VIVERE DISCE MORI, cuja tradução poderá ser a arte de bem viver é só uma, ó caminhante: se queres viver eternamente, aprende a morrer. Esta data deverá reportar-se a uma reedificação da igreja, ou a uma intervenção na fachada, uma vez que são vários os elementos do interior que apontam para a existência de um templo mais antigo, muito possivelmente, quinhentista. O exemplo mais flagrante desta situação são os frescos das capelas laterais, em mau estado de conservação e parcialmente encobertos pelos retábulos barrocos do século XVIII. Na verdade, o altar das Almas, de talha dourada proto-barroca, ou nacional, denuncia uma campanha de obras seiscentista, bem anterior ao restante equipamento decorativo do interior, datado da segunda metade de Setecentos.

A fachada principal, em cantaria, é delimitada por pilastras nos cunhais, rematadas por pirâmides, que suportam a cornija de linhas curvas, interrompida ao centro pela torre sineira. O portal, de linhas rectas, termina em frontão semicircular, onde assenta a base da cruz que se eleva até ao limite da cornija, sendo flanqueada por dois óculos. A torre, de dupla sineira em arco de volta perfeita, termina em cornija saliente, com pináculos laterais e uma cruz, sob peanha, ao centro. Nas restantes fachadas, os volumes são definidos por pilastras, e os panos rebocados e pintados de branco.

A planta do templo articula nave e capela-mor longitudinais, com sacristia anexa, à esquerda. O corpo apresenta coro alto, e púlpito de talha dourada e policromada, rococó, onde se destaca a existência de um anjo tocheiro no início da guarda das escadas de acesso. O tecto é revestido por caixotões, com pinturas representando os diversos santos, que ultrapassam o limite da cobertura para se prolongar uma fiada pelos panos murários da nave. A talha dourada e policromada ganha uma outra dinâmica no arco triunfal, uma vez que envolve o próprio arco e os retábulos colaterais, antecedendo o espaço totalmente revestido a ouro que encontramos na capela-mor.

O retábulo-mor, rococó, ocupa a totalidade da parede fundeira, sendo complementado pelos caixotões do tecto, com representações hagiográficas, e pelas pinturas que revestem as paredes, com a mesma temática, sobre um rodapé pintura mural geométrica. A campanha da capela-mor é a única que se encontra seguramente datada, conhecendo-se, também o autor das pinturas do tecto, cuja assinatura está patente na representação de Santo Isidro. Trata-se de Damião Rodrigues Bustamente, artista natural de Valladolid, que executou este conjunto pictórico em 1773. O retábulo é, com certeza, posterior, pois o seu remate sobrepõe-se, parcialmente, aos primeiros caixotões (MOURINHO, 1995, p. 673).

Concluímos, assim, que a igreja de Avantos, de fundação quinhentista, foi objecto de uma ampla remodelação na segunda metade do século XVIII, que visava actualizar a sua linguagem arquitectónica e decorativa, prolongando, no interior e principalmente na zona da capela-mor, um modelo de igreja forrada a ouro (mas com elementos rococó contemporâneos), o que testemunha a aceitação, por um longo tempo, de determinadas tendências artísticas.

Fonte: Direção Geral do Património Cultural