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FRAGA PINTADA DO CACHÃO DA RAPA

Arqueologia / Sítio de Interesse Público

Classificada em 1943 como “Monumento Nacional”, a “Fraga pintada do Cachão da Rapa” localiza-se num monte da bacia do Alto Douro, onde aflora um molhe granítico e vertical.
Quando, na segunda metade do século XIX, se analisava, ao nível europeu, a polémica temática das manifestações artísticas dos nossos antepassados pré-históricos, o estudo das pinturas rupestres do Cachão da Rapa, no Concelho de Carrazeda de Anciães, ter-se-á revelado assaz pertinente. Embora conhecidas desde, pelo menos, o século XVIII, foi J. Possidónio N. da Silva (1806-1896) quem, em 1878, notificou os seus consócios da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes da (re)descoberta de um abrigo “[…] com varios ornatos na falda da serra de alvaiazer.” na superfície de um penhasco localizado em Linhares, numa zona sobranceira ao túnel da Rapa. Obteve, então, a cópia das figuras representadas na sua superfície com vista ao seu envio, em 1885, à Associação Francesa para o Desenvolvimento das Ciências, em Grenoble, para que fosse formulado um parecer científico circunstanciado sobre o seu possível significado. E, apesar de não se encontrar completamente convicto da sua teoria, colocou a hipótese de estarmos perante a figuração de um qualquer conflito armado estabelecido entre soldados romanos e comunidades lusitanas, pois equacionava de igual modo a eventualidade de os criptogramas terem sido executados por uma população aportada à Península Ibérica em tempos bastante mais recuados. Não conseguiu, contudo, teorizar a sua origem e significado dos próprios sinais pintados na pedra, razão pela qual apelou à coadjuvação dos membros do congresso promovido pela Association Française pour l’Avancement des Sciences em Grenoble, no ano de 1886, mesmo que insistindo na sua derivação exógena.
Apesar desta primeira tentativa de abordagem científica do sítio, o Cachão parece ter sido esquecido durante bastante tempo, sendo apenas redescoberto em 1930, dessa feita por mão do arqueólogo J. N. de C. Santos Júnior, que registou a presença de figuras geométricas executadas a preto (ou azul escuro) e vermelho, aparentemente destituídas de qualquer intuito compósito.
Estamos, pois, em presença de uma fraga pintada, onde predominam as figuras geométricas de configuração predominantemente rectangular e circular, algumas das quais poderão ser interpretadas enquanto representações humanas, aqui destacadas pela sua óbvia estilização, podendo algumas ser encaradas como representações humanas muito esquematizadas. Para além disso, são vários os elementos interiormente seccionados por linhas cruzadas, a formar um espécie de padrão axadrezado.

Fonte: Direção Geral do Património Cultural