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CASTRO DE PALHEIROS

Arqueologia / Sítio de Interesse Público

O “Castro de Palheiros” foi implantado no cimo de um morro durante a Idade do Ferro do Noroeste peninsular, num local que evidencia vestígios de uma ocupação anterior, designadamente calcolítica (embora aparentemente destituída de qualquer método defensivo), a confirmar, no fundo, as condições de excelência proporcionadas pelo sítio à sobrevivência das comunidades humanas que o foram escolhendo ao longo dos tempos, confirmadas, aliás, pela presença de elementos atribuíveis a uma fruição posterior, já durante o Bronze Final.

O povoado apresenta um complexo sistema defensivo constituído por duas linhas de muralha levantadas em pedra solta e taludes, apresentando marcas de terem sido, em dado momento da sua utilização, revestidas de protecção pétrea, precisamente nas áreas mais vulneráveis em termos defensivos devido à inexistência pontual de penedos e das elevadas falésias características do cabeço.
As investigações conduzidas ao longo da última década sob orientação de Maria de Jesus Sanches permitiram definir três etapas do povoado diferenciadas entre si pela alteração da orgânica funcional do espaço. Por conseguinte, enquanto que o denominado “Castro I” se reporta essencialmente ao período calcolítico (vide supra), o “Castro II” destaca-se pela presença de todos os elementos estruturantes da fortificação erguida na Idade do Ferro, que acabaram por alterar profundamente a distribuição espacial do povoado, agora disseminado ao longo de cerca de dois hectares e meio de terreno. Por fim, o “Castro III” corresponderá à ocupação da Idade do Bronze (vide supra) concentrada na plataforma inferior intra-muros, precisamente no local onde o anterior muralhado parece ter perdido a sua função original, e numa altura em que as estruturas domésticas edificadas sobre as ruínas do “Castro II” assumiram um carácter bastante mais perecível, destacando-se, ainda, a presença de uma estrutura funerária em tumulus, com incineração, dentro da própria área habitacional.

A maior parte das construções de uso quotidiano foi essencialmente identificada na plataforma inferior, onde, a par de uma lareira, se escavou uma estrutura pétrea de planta circular de dimensões consideráveis. Na verdade, o elevado número de elementos remanescentes de lareiras e de buracos de poste (entre outros aspectos) permitirá falar de uma ocupação doméstica relativamente intensa desta plataforma, porém dispersa, a denunciar, no fundo, uma permanente reformulação dos espaços habitacionais.

Quanto ao espólio associado, foram recolhidos, entre outros elementos mais significativos, alguns exemplares líticos, um artefacto de cobre e fragmentos de cerâmica manual lisa e com decoração, especialmente campaniforme, esta última exumada ao nível da plataforma superior.

Entretanto, projecta-se a construção de um “Centro Interpretativo” no “Castro de Palheiros”, onde o público visitante poderá observar alguns materiais ilustrativos das diversas campanhas arqueológicas empreendidas no local, ao mesmo tempo que obter uma visão mais abrangente e coesa daquele que terá sido, em tempos, o “Castro de Palheiros”.

Fonte: Direção Geral do Património Cultural