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CASA DE SELORES

Arqueologia / Sítio de Interesse Público

Antiga residência da família Morais, a Casa de Selores é uma construção formada por três corpos, de épocas distintas, remontando os dois mais antigos ao século XVII, e o central, à centúria seguinte, numa linguagem arquitectónica onde algumas soluções são ainda maneiristas, outras denotam a transição para o barroco do século XVIII, e outras ainda inserem-se no rococó, da segunda metade de setecentos.
O modelo adoptado para este imóvel enquadra-se nas denominadas casas compridas, que dominaram a arquitectura senhorial do nosso país, entre os séculos XVII e XVIII. Pautam-se pela regularidade da planta, apresentando fachadas simétricas e equilibradas, com a entrada principal ao centro, e a capela numa das extremidades, mas procurando respeitar as linhas da casa. O caso de Selores pode ser considerado uma variante desta tipologia, muito embora não seja conhecida a planimetria original, sem o corpo central setecentista, que, no entanto, se pensa não ter sido muito diferente da que hoje conhecemos (AZEVEDO, 1969, pp. 86, 169).
De acordo com a inscrição presente sobre a porta da capela, esta foi construída por iniciativa do Bispo do Porto, D. Gonçalo de Morais, em 1616, e destinava-se aos seus pais e ao seu irmão António de Morais, cuja sepultura se encontra no interior do templo. Edificada num plano ligeiramente recuado em relação ao corpo da casa, a capela é aberta por um portal central, de linhas rectas, e que se liga ao brasão dos Morais, rematado por um frontão semicircular. Este brasão apresenta uma cruz, que “transforma as armas familiares em armas de fé, no caso de Frei Gonçalo de Morais” (LOPES, 1996, p. 39), a que se acrescentam as seis borlas alusivas à sua dignidade episcopal (IDEM).
O corpo que se desenvolve no extremo oposto, e que se destaca pela varanda alpendrada suportada por colunas salomónicas (e assente sobre um embasamento de grandes dimensões), deverá ser contemporâneo da capela. Apesar da tradição clássica e renascentista em que este género de varanda se filia, alguns elementos, como as colunas torsas, denunciam a transição para o barroco (AZEVEDO, 1969, p. 168).
Ao centro, e interrompendo o ritmo da colunata, um outro brasão esquartelado, com decoração vegetalista, evoca as famílias Morais, Mesquita, Vieira e Azevedo (IDEM, p. 41).
A primeira campanha de obras na Casa de Selores não deverá ter ido muito além do que acabámos de descrever, pois o interior deste corpo é muito posterior, e bem mais próximo da cronologia apontada para o edifício central. Não sabemos, no entanto, quais as razões da eventual interrupção dos trabalhos, ou da conclusão menos cuidada dos mesmo, que exigiu uma profunda reforma no século XVIII, que abrangeu também os interiores da edificação seiscentista.
O corpo central, com portal axial flanqueado por duas janelas, e aberto por outras seis ao nível do andar nobre, caracteriza-se pela simetria, onde se destaca, naturalmente, o brasão que encima a porta principal (esquartelado com as armas dos Morais, Caldeirões, Mesquita e Sousas do Prado). Todas as janelas exibem moldura, com avental decorado com elementos rococó, ligando-se à cornija, na zona superior. O interior encontra-se, hoje, bastante alterado.

Fonte: Direção Geral do Património Cultural