PNRVT – Parque Natural Regional Vale do TuaPNRVT – Parque Natural Regional Vale do Tua

PNRVT - Parque Natural Regional Vale do Tua

Already a member?

PNRVT – Parque Natural Regional Vale do TuaPNRVT – Parque Natural Regional Vale do Tua
Forgot password?

Don't have an account?

ABRIGOS RUPESTRES REGATO BOUÇAS

Arqueologia / Imóvel de Interesse Público

Classificados em 1992 como “Imóvel de Interesse Público”, os “Abrigos rupestres do Regato das Bouças” estão situados na costa Leste da Serra dos Passos, na margem direita do regato das Bouças, que lhes deu o nome, em terreno de falésias de xisto quartzítico, em paredões protegidos pelas denominadas “palas”.
Utilizados durante um largo espectro temporal, entre o Neolítico e o Calcolítico desta região do Noroeste peninsular, o arqueossítio é, na verdade, formado por um conjunto de oito abrigos sob rocha, cujos interiores encerram diversos exemplares de pintura esquemática, onde abundam as figurações antropomórficas e arboriformes, a par de várias representações geométricas, todas elas executadas a ocre vermelho.

O primeiro e mais significativo (pelo menos em termos de monumentalidade formal) destes abrigos possui dimensões consideráveis (aproximadamente dez metros de comprimento) e planta irregular, bastante visível no acentuado desnível observado entre a zona de entrada e a área mais recuada, como sucede naturalmente nesta tipologia arqueológica, em face do aproveitamento (e acomodamento) das suas características geológicas. Aqui, foram identificados dois motivos pictóricos, a saber: barras paralelas entre si e o que corresponderá a uma figura quadrangular preenchida a ocre encarnado.

Quanto aos elementos presentes nos demais abrigos, encontramos, entre eles, um grupo de três figuras humanas semi-esquemáticas apostas na horizontal; quatro antropomorfos fálicos; uma figura humana semi-naturalista, a par de um eventual antropomorfo assente no dorso de um quadrúpede. Na verdade, a presenta deste elemento zoomórfico poderá indiciar uma aparente afinidade com os modelos conhecidos para a generalidade da pintura rupestre, de raiz mais esquemática e seminaturalista (BAPTISTA, A. M., 1987, p. 47). Apesar de poder ser inserido no denominado Grupo Galaico-Português, pertencente ao universo genérico da Arte Rupestre, onde os melhores exemplares parecem concentrar-se predominantemente acima do Rio Minho e, sobretudo, em toda a Galiza (ABREU, M. S., 1995, p. 48), os testemunhos zoomorfos presentes neste sítio parecem constituir uma excepção. Mas apesar desta aparente preferência pela figuração humana, o facto é que três dos abrigos evidenciam apenas uma temática “não figurativa”, a sugerir uma diferenciação cronológica na sua realização, resultado imediato das mutações observadas no seio das comunidades que as realizaram.

E ainda que se encontrassem, certamento, relacionados de modo directo com povoados pré-históricos erguidos nas suas cercanias, como no caso da “Mãe d’Água”, ainda não foi possível corroborar, até ao momento, esta possibilidade de investigação no terreno.