A inauguração e abertura de portas do Centro Interpretativo do Vale do Tua (CIVT) representa a concretização de um dos grandes eixos do projeto de desenvolvimento territorial, desenhado como contrapartida pelo aproveitamento hidroelétrico do Vale do Tua.

 

O Centro Interpretativo do Vale do Tua é um lugar de preservação, de respeito, de memória, de valorização mas também de incentivo ao estudo, à pesquisa, à promoção do território.

Este projeto recuperou dois armazéns que já não eram utilizados, na estação do Tua, Carrazeda de Ansiães, mantendo a traça original e utilizando materiais de construção eco-eficientes. A temática abordada foi a Linha do Tua, o Vale e a Barragem, estabelecendo a ligação entre o território e as suas gentes, o caminho-de-ferro e a barragem, assumindo-se como um local de passagem – a porta de entrada ou de saída numa região que envolve o Douro e Trás-os-Montes.

De acordo com as exigências da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT), promotora do CIVT, o tema “ Vale”, pretende levar o visitante a envolver-se com o vale do Tua em toda a sua dimensão, natural e humana. Numa área tunelar (foi criado um túnel em cortiça) é recriada uma cápsula temporal que direciona o visitante num percurso de milhares de anos, desde a dimensão geológica e natural do vale até ao seu povoamento.

No tema “Linha do Tua” o objectivo é recordar e aproximar. A ideia é levar o visitante a recordar o caminho-de-ferro e compreender a realidade local, podendo envolver-se com o sentimento dos habitantes pela perda do acesso ao comboio. A ligação entre a via-férrea e os residentes do Douro e Trás-os-Montes é o momento que se celebra.

No tema “Barragem” quer-se levar o visitante a compreender este aproveitamento hidroelétrico como algo incontornável ao Tua, independentemente do posicionamento de cada um, demonstra-se a relação estabelecida pelo desenho do arquiteto Eduardo Souto de Moura, entre a paisagem e a exigência da tecnologia. A cenografia tenta demonstrar a coexistência da diversidade de opiniões, de paisagens e desenhos que culminaram no processo hídrico do Tua. Qual o papel fundamental da barragem do ponto de vista socioeconómico, do aproveitamento hidroelétrico na região e país, as preocupações culturais, patrimoniais e ambientais na conceção e construção.

O discurso museográfico do CIVT pretende despertar emoções e gravar-se na memória dos visitantes, através de dois contextos expositivos, a exposição de longa duração e as exposições temporárias.

Cinco grandes eixos de Desenvolvimento Territorial

A construção do CIVT, que resulta da recuperação e revitalização dos dois armazéns ferroviários existentes na Estação do Tua, concelho de Carrazeda de Ansiães, é um dos cinco grandes eixos da estratégia de desenvolvimento territorial definida pela ADRVT.

Desta estratégia faz parte também um plano de Reabilitação e Valorização de Património Cultural. Com base num protocolo assinado em 2013 entre a EDP, a ADRVT e a DRCN (Direção Regional de Cultura do Norte) foram financiadas um conjunto de ações de reabilitação e valorização de património cultural localizado nos cinco municípios do Vale do Tua, no valor de 1,5 milhões de euros. Mais um projeto que visa preservar, recuperar e valorizar, apostando no turismo cultural e religioso.

Um programa de Apoio ao Empreendedorismo, que pretende desenvolver a capacidade empreendedora local, apostar na formação dos agentes locais, aumentar a taxa de sobrevivência das empresas e fixar as populações e melhorar as suas condições de vida. Este programa tem um orçamento de 1,5 milhões de euros, ao qual se junta uma candidatura apresentada pela ADRVT aos Fundos Comunitários, e já aprovada, com um orçamento superior a 600 mil euros.

A criação do Parque Natural Regional do Vale do Tua, o único Parque Natural Regional do país, uma classificação que garante a autonomia desta entidade. E o único caso no país em que um organismo está diretamente associado à concessão para explorar o Aproveitamento Hidroelétrico de Foz-Tua, entregue à EDP por 75 anos. Dessa exploração 3% revertem para um fundo ambiental a gerir pelo Estado. Com a criação do PNRVT, 75% desta verba é atribuída à criação e gestão do Parque, ou seja, fica no território.

Este Parque tem uma forte preocupação com a área de preservação e conservação ambiental, mas também com o desenvolvimento local sustentado, a partir do Turismo de Natureza.

E, o eixo mais emblemático, Plano de Mobilidade um projeto que pretende responder a dois tipos de procura distintos: mobilidade quotidiana e turística, representando um investimento total de 15 milhões de euros. Tem um programa multimodal, que engloba autocarro, barco e comboio.

Plano de Mobilidade a bom ritmo

Este é, sem dúvida, o eixo que cria maior expetativa na região e aquele que se espera que funcione como alavanca para o desenvolvimento social e económico de todo o território.

Um projeto que tem encontrado muitos obstáculos, por implementar uma solução completamente nova no país, para a qual não existia sequer legislação. Falamos, por exemplo, da recuperação da histórica linha férrea do Tua, cuja revitalização implicou, para além de um enorme investimento financeiro, o cumprimento de regras rígidas de segurança. O processo ainda não está completamente concluído, ainda há intervenções a fazer, que podem custar mais de 3,7 milhões de euros, e que a EDP já garantiu financiamento para essa intervenção.

O operador já possui, neste momento, todos os licenciamentos, para dar início aos testes e ensaios de circulação do comboio, estando em fase de reunião de equipas e entidades que, necessariamente, têm de marcar presença nessas operações, para aferir todas as condições de segurança necessárias.

Este projeto não tem volta atrás, também não tem uma data de início absolutamente definida, sendo certo que todas as entidades competentes estão interessadas em garantir a breve operacionalidade da linha.

O presidente da ADRVT, Fernando Barros, já referiu que possui “o enorme desejo” de ver o comboio voltar a apitar, entre a Brunheda e Mirandela, ainda durante o seu mandato na presidência da ADRVT que está a terminar. “Um desejo que já manifestei a todos os parceiros e sei que todas as entidades estão a fazer o seu melhor para garantir a implementação plena do Plano de Mobilidade com a celeridade possível”, refere o presidente.

Este projeto é visto como o motor que vai impulsionar todo o desenvolvimento social do território, garantir dinâmica económica, criar novas oportunidades e contrariar, de forma firme e séria, o acentuado abandono e o despovoamento que toda a região de Trás-os-Montes tem sofrido ao longo dos anos.