Gosto de ti…

Gosto de ti Alijó,

com a tua vila vistosa que em cada recanto nos conta histórias ancestrais,

que recebeu o seu primeiro foral no ano de 1226,

que na Praça ostenta o centenário Plátano, cujas raízes se alimentam de uma terra que fez homens bons e valentes… a tua bela Igreja onde os mesmos homens se enchem de fé e colhem amparo, o teu fontanário que tantas sedes já saciou…

Gosto de ti Alijó, da forma como te modernizaste sem ferir as memórias, da gratidão que demonstras pela terra que dá o sustento à tua gente e que tão bem soubeste homenagear com a escultura do Homem do Douro, o homem que carrega o cesto de uvas, que são a grande riqueza deste concelho.

Gosto dos teus Planaltos luminosos dos teus cabeços graníticos, dos teus quatro rios: o Tua, o Tinhela, o Pinhão e o Douro.

Gosto da tua luz… a luz do sol tão intenso nos meses de Verão, a luz das fogueiras de inverno, que aquecem os serões.

Gosto de ti com todas as tuas contrariedades, a zona Norte agreste, rica em azeite, cereais, e amendoais e a zona Sul tipicamente duriense, repleta de vinhedos em socalcos e paisagens verdejantes.

É a sul que se abrem as tuas janelas sobre o Tua e sobre o Douro, em cujas encostas se produzem os melhores vinhos da mais antiga região demarcada do mundo.

Mas Tu, Alijó, és original na produção dos melhores vinhos generosos, com o teu inigualável Moscatel de Favaios, a mesma vila que fabrica o mais saboroso pão, dois produtos que foram a razão da criação de um dos espaços de cultura e promoção mais importantes do concelho, o Museu do Pão e do Vinho de Favaios. O lugar recebe milhares de visitantes que, na sua maioria, chegam através do Douro, entrando pelo Pinhão, uma localidade com enorme importância turística.

Os visitantes chegam de barco ao Pinhão e, gosto de ti Alijó, porque, para além das bucólicas paisagens do Douro tens uma imensidão de experiências únicas para oferecer.

Os teus Santuários e as tuas festas, são disso exemplo.

Em Sanfins do Douro, uma vila encavalitada na colina, fica o Santuário de Nossa Senhora da Piedade. A Festa acontece em meados de Agosto e os filhos desta terra disputam o direito e o prazer de transportar pelas ruas o andor que pesa perto de mil quilos;

O Santuário do Senhor de Perafita com a sua igreja, a Casa dos Milagres, a capela, o calvário e a fonte santa, cujos primeiros milagres remontam ao século XII;

A Capela da Boa Morte, do século XII, com pinturas extraordinárias no interior: na capela-mor, as paredes exibem a figuração dos quatro Evangelistas, no teto, as pinturas dos caixotões são relativas a episódios da vida da Virgem e de Cristo. O retábulo, de talha durada protobarroca, integra duas pinturas dedicadas à Anunciação.

Goste de ti Alijó, involuntariamente, por instinto. Quando sinto a energia do “abrigo rupestre da Pala Pinta”, e deleito o meu olhar no grafismo, nas cores gravadas no interior deste local, onde se percebe, entre outros, o desenho do astro-rei; quando observo as inscrições gravadas na “Anta de Fonte Coberta”; quando visito o Castro do Pópulo que remonta à Idade do Ferro.

Gosto de ti pela conspiração do desejo de te descobrir,

de conhecer as tuas pitorescas aldeias, como o Amieiro, que mais parece um presépio disposto na encosta da montanha, com o rio a seus pés, com histórias de encantar que nos falam das Ninfas do Tua, figuras míticas e mágicas, cuja beleza pode atrapar o coração dos mais destemidos e bravios, deixando-os eternamente apaixonados por aquele rio.

Gosto dos teus miradouros: o Miradouro das Fragas Más, O Casal de Loivos, o Miradouro do Ujo, do Amieiro, de Nossa Senhora de Cunha e de Nossa Senhora da Piedade.

Todos eles varandas abertas para o sonho, que convidam o nosso olhar a voar sem freios e a repousar em belas paisagens,

que nos convidam a ouvir o silêncio que emerge da natureza, o suave sopro do vento, que impõe o seu ritmo às árvores e às águas do Rio.

Miradouros na sua maioria integrados na rede de percursos pedestres do Parque Natural Regional do Vale do Tua, trilhos desafiadores, que nos proporcionam a possibilidade de cruzar bosques e vinhedos, de atravessar olivais e de caminhar à beira-rio, sempre tendo como partida e como destino uma aldeia, um lugar onde seguramente somos acolhidos com o conforto que nos dá a simpatia das suas gentes.

Gosto de como preservas, interpretadas e promoves a cultura local, no Ecomuseu de Santa Eugénia, esta bela aldeia Com Vida.

Gosto de ti Alijó de uma maneira incontornável, porque tu és vida e biodiversidade, porque tens sabido preservar a tua paisagem sem agressão, cuidar da fauna e da flora, como que cuida de um tesouro que se quer partilhar e de cuja partilha resulta sempre o aumento da riqueza.

Gosto de ti Alijó de uma maneira inconfessável por vezes incompreensível porque na verdade há tantos lugares belos e ricos pelo mundo, mas nenhum com a tua essência, nenhum com a tua verdade, a tua simplicidade a tua hospitalidade.

Gosto de Ti porque és TUA…

Gosto de ti, simplesmente porque gosto…

Por: Ana Fragoso