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Controle de Pragas por Morcegos

O projeto de controlo de pragas agrícolas por morcegos surgiu com base em estudos prévios realizados no delta do Ebro, em Espanha, onde a colocação de caixas-abrigo para morcegos permitiu que estes se estabelecessem com maior proximidade em terrenos agrícolas. Deste modo, através da predação que exercem sobre diversas espécies de insetos, foi possível controlar com maior eficácia o impacto das pragas, reduzindo a necessidade de recorrer a pesticidas. Estes fenómenos, onde a ação natural de uma determinada espécie é benéfica para a Humanidade, são designados serviços dos ecossistemas.

Com o propósito de averiguar a utilidade dos serviços dos ecossistemas prestados pelos morcegos na proteção da agricultura em Trás-os-Montes, o Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT), em parceria com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), deu início a este projeto. O objetivo primário é potenciar o controlo biológico por morcegos de pragas da vinha, olival e sobreiral, permitindo aos produtores reduzir os gastos com pesticidas.

Os trabalhos começaram com a identificação de proprietários dispostos a participar no projeto, cujos terrenos se encontrassem dentro da área do PNRVT, e onde a cultura principal fosse uma de três, a vinha, o olival e o sobreiral. Com a ajuda das associações florestais Aflodounorte e Silvidouro, foram contactados diversos proprietários e a 14 Fevereiro de 2017 foram identificadas 42 propriedades para intervenção.

 

Figura 1 – Marcação do local para colocação do poste para as caixas-abrigo num terreno com vinha e olival.

 

Ainda durante esse mês começou a implementação dos postes de madeira que iriam suportar as caixas-abrigo.

 

Figura 2 – Colocação dos postes e caixas-abrigo.

 

Terminada a fase de implementação a 16 Março de 2017, deu-se início à fase de monitorização das caixas, para verificar a sua ocupação por morcegos e recolha de fezes para análise laboratorial da sua dieta.

 

Figura 3 – Monitorização das caixas-abrigo para inspecção visual e recolha de fezes.

 

Com base em estudos anteriores, o intervalo entre a colocação de abrigos e a sua ocupação varia entre 3 e 13 meses, dependendo das espécies presentes e do estado das suas populações.

Felizmente, a 17 de Maio de 2017 foram observados os primeiros morcegos nas caixas-abrigo, com uma taxa de ocupação de 27% das 100 colocadas. Estes resultados iniciais superaram as previsões derivadas de outros estudos, onde no primeiro ano de ocupação este valor rondou os 10 a 15%.

 

Figura 4 – Primeiro morcego observado no interior de uma caixa, a 17 de Maio de 2017.

 

O trabalho de amostragem e monitorização decorreu durante o Verão até Setembro, tendo a taxa de ocupação aumentado gradualmente, encontrando-se atualmente nos  80%.

 

Figura 5 – Morcego em fuga, numa caixa com três indivíduos a 26 de Setembro de 2017.

 

 

De um modo geral o projeto de controlo de pragas agrícolas por morcegos teve um início auspicioso, revelando o seu potencial para beneficiar tanto os ecossistemas como os produtores do Vale do Tua.

A segunda fase de monitorização irá ter início em Abril de 2018, estando o fim deste projeto planeado para 2019, pelo que ao longo deste período o PNRVT irá atualizando a informação aqui presente, consoante os resultados forem surgindo.