Foi em meados de fevereiro deste ano que o Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT) começou a colocar caixas-abrigo para morcegos em terrenos agrícolas, na área deste parque, com o objetivo destes pequenos predadores ajudarem no combate às pragas agrícolas, tornando assim desnecessário o uso de pesticidas e outros produtos químicos para defender as culturas das pragas.

Foram colocadas uma centena de caixas e a taxa de utilização destes pequenos abrigos revelou-se cinco vezes superior ao que seria de esperar. Por regra, de acordo com outros projetos já implementados, a taxa de ocupação na primeira temporada ronda os 10%. “No seguimento da última ronda de monitorização das caixas-abrigo para morcegos instaladas no PNRVT, nos dias 19 e 20 de julho, o número de caixas ocupadas determinou-se ser de 36, com mais 22 caixas com indícios de uso frequente, levando o número total de abrigos em utilização para 58, das 100 colocadas”, adiantou Pedro Leote, o biólogo que acompanha o projeto.

36 das caixas-abrigos tinha, na hora da visita do técnico, morcegos no seu interior, nas restantes 22 caixas o biólogo encontrou guano (fezes de morcego) em quantidade, que indica a ocupação do espaço.

Estes primeiros resultados são animadores e podem determinar o alargamento do projeto. As pragas são uma ameaça frequente, que podem dizimar produções com consequente quebra de rendimento. A solução encontrada passa pela intensificação da presença de algumas espécies de morcegos, predadores naturais, que consomem grandes quantidades de presas, maioritariamente insectos.
Recordamos que estes abrigos foram colocados com o intuito de aumentar o número de colónias de morcegos nos sistemas agrícolas e florestais, de maior relevância na área do PNRVT, mais especificamente, as vinhas, os olivais e as florestas de sobreiro.

A partir de setembro o técnico responsável pelo projeto vai dar início à realização das primeiras análises laboratoriais para avaliar, entre outras coisas, quais as espécies de morcegos que apresentam melhores resultados no combate às pragas. Estes resultados irão permitir desenvolver planos de gestão onde se optimize os Serviços de Ecossistemas prestados pelos morcegos na região, providenciando um exemplo onde a promoção e preservação da biodiversidade se traduzirá em ganhos económicos para os agentes envolvidos.

Este projeto poderá constituir um excelente exemplo onde a investigação científica está ao serviço do desenvolvimento sustentável, esperando deste modo que o modelo de gestão do PNRVT se possa disseminar ao nível regional e nacional.

A coordenação é feita pelo PNRVT, com a colaboração imprescindível de um biólogo a tempo inteiro e o apoio especializado do Centro de Investigação em Biodiversidade da Universidade do Porto.